domingo, 10 de janeiro de 2010

Alice não mora mais aqui

Adriana Peliano

colagem Adriana Peliano

Naquela época eu mergulhava compulsivamente no universo de Lewis Carroll para fazer minhas próprias ilustrações de Alice:

VEJA - ME

Eu morava em Brasília, no Lago Sul, para quem conhece, na QI 11 – conjunto 09, para quem entende. Tudo começou com algumas cartas para a Alice. Mais tarde vieram as visitas para jantar com a Alice, ou não seria um chá mais apropriado? Entre o sonho e a realidade, eu suspeitava de um complô do universo que me lançava para dentro das estórias que eu lia, reconheço que sou um pouco exagerada. Até que um dia recebemos um enorme carregamento de coca-cola, para quem? Alice, claro. Na minha imaginação alicenatória, as garrafas todas diziam “beba-me, beba-me” !

Intrigada, eu descobri a lógica surpreendente dessa história toda. A Alice, uma Alice de verdade, tinha um restaurante, sabe aonde? Na QI 11 – conjunto 09, numa casa no mesmo número da minha, só que no Lago Norte, entende? Eu morava no SHIS (Setor Habitacional Individual Sul) e ela no SHIN (Setor Habitacional Individual Norte), o resto do endereço era idêntico. Por isso tanto troca troca. E olha que em Brasília é muito raro ter um restaurante numa zona residencial, quase impossível. Foi quando eu conclui que eu também era uma Alice, uma Alice do outro lado do espelho. (Lembre que Brasília tem o desenho de um avião, uma cidade quase simétrica...)

Me mudei de Brasília e a Alice mudou de endereço. “Alice não mora mais ali.” Já em São Paulo, rodei, rodei e rodei para encontrar um apartamento para morar. Mais de duzentos, sem exagero. Foi quando me apaixonei a primeira vista por um recanto encantado, lar de milmaravilhas. E eis que sou novamente surpreendida pela ex-proprietária do apartamento. Como será que ela se chamava?

Alice? Não, Branca Regina! Quem já leu “Alice através do Espelho” conhece a Rainha Branca, meu personagem predileto nessa estória. Com ela aprendi muitas coisas como treinar todo dia para acreditar em coisas impossíveis. “As vezes acontece de eu acreditar em seis coisas impossíveis antes mesmo do café da manhã!” disse a Rainha.

Nessa estória você pode acreditar!

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