sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Oficina Unicamp: Quem é Alice para você?


Ontem eu dei mais uma oficina de "alicinagens" no FEIA ONZE, Festival do Instituto de Artes da Unicamp. Apresentei um panorama da história das representações visuais de Alice na arte e na ilustração e desenvolvemos dois trabalhos práticos. Fizemos primeiro um jogo coletivo inspirado nos jogos surrealistas e depois partimos para a colagem. Levei uma série de páginas de livros e revistas com imagens curiosas e instigantes que serviram como ponto de partida par as aventuras dos participantes. Cada um criou uma colagem respondendo a pergunta: "Quem é Alice para você?". Inspirados nas Alices meigas, doces, estranhas, assustadoras, surrealistas, psicodélicas, misteriosas e enigmáticas que mostrei, cada um contribuiu com sua visão subjetiva e singular.

Boa viagem!

Bruna P. B.


Lis Nasser


Marcello di Felippe


Mayara Falsarella


Mylena Oliveira


Natália Lopes


Rafaela Mendes


terça-feira, 27 de abril de 2010

Oficina IED: "Quem é Alice para você?" (27/04)

Fui convidada pela Mari Pini para dar uma oficina de colagem para os alunos do primeiro ano de Design Gráfico do Instituto Europeu de Design. Esse é o resultado do segundo dia da oficina. Partindo de uma apresentação da história das representações de Alice e suas principais interpretações na ilustração e nas artes plásticas, cada aluno teve que recriar o universo da obra segundo seu repertório e seu imaginário próprio.

Eron Mariano


Rodrigo "Kenan" Felipe

Vagando no meu mundo real, torno meus sonhos reais. Meu subconsciente é meu consciente.
Nessa cidade de maravilhas, tenho um pouco de Alice.


Petra Jurisic

Alice, tanto a personagem como sua própria mente e mundo, representa para mim a revelação de uma dimensão diferente, que a maior parte de nós deixa de enxergar: a dos sonhos. É nessa dimensão que nosso subconsciente nos revela o que de fato queremos ver. É a volta à infância, é o delírio consentido, é a busca pela felicidade. Se partirmos do pressuposto que a felicidade é imaterial e sem dimensão, diríamos que ela é inalcansável. Mas justamente por isso ela pode ser encontrada no País das Maravilhas. A felicidade é o tempo perdido, que não se pode encontrar no espaço, só nas lembranças. É o "bom tempo" (como no francês, "bonheur"), aquele que não sentimos passar, só vivemos, e quando sentimos, ja passou. Alice é a garota que se perdeu nessa "não-dimensao", da felicidade onírica, no mundo da sua própria memória que visa um futuro. Se deixou levar pelo que lhe era importante, a fantasia da juventude com a maturidade da vida adulta.


Leonardo Melo

Uma viagem psicodélica sobre o imaginário de uma criança abordando seus anseios, curiosidades e visão de mundo.

Rosalvo Afonso

Alice no país das maravilhas é uma viagem ao subconsciente e nos faz questionarmos a nossa realidade e os nossos ideais. Uma viagem psicodélica em uma realidade alternativa, aonde não existem limites para o impossível.


Rogério Pagliari


Penélope Hernández


Camila Proença




Adriana Peliano

Corpo. Território. Desejo. Jardim secreto. Caminhos. Diz o gato.
Aonde você quer chegar?



Andres Castro

Alice para mim é uma subjetividade psicodélica, apenas citada como uma menina para que pudesse se tornar um produto para ser vendido em larga escala.



Axel Akerstrom

Primeiro de tudo eu vejo as aventuras da Alice como viagens no mundo imaginário de uma menina - criança. Uma fuga da realidade aonde tudo é muito estruturado num esquema rígido, sem espaçø para a criatividade e a imaginiação. Uma crítica aos valores da época vitoriana inglesa, aonde uma criança era apenas um adulto em processo, que logo tinha que aprender que o mundo é contruído em torno de leis.



César Kujosh

O que mais eu gostei em Alice foi o jeito como cada personagem tem uma característica marcante e pode ser comparado com pessoas que conhecemos.



David Jun Jang

A questão do que é real e o que não é para Alice, pois eu acho que esse paradigma do mundo real, é sempre um dilema. Cada pessoa tem o seu mundo "real".



Eduardo Uzae

Alice no país das maravilhas para mim significa todas as mutações a que somos submetidos durante a vida. Metaforicamente, muitas das passagens do livro fazem referência às experiências que vamos acumulando.



Gabriel Cruz

Alice me encanta pela falta de senso.



Lucas Alfaro

A história de Alice me remete a uma fase de auto conhecimento. Talvez até uma vida inteira vivida através da imaginação sem limites de uma criança repleta de curiosidade.
Em todo o livro o leitor está sujeito a interpretações paralelas de sua vida.



Maíra Brito



Pedro Muraki

Alice é uma obra inteligente que representa em seus personagens diversos estereótipos diferentes. O que me chama atenção é o caráter surreal, a "loucura". Existem muitos questionamentos e poucas respostas. Associo a obra aos sonhos que temos e que não entendemos. Lugares e pessoas estranhas, situações malucas, entre outros.



Bárbara Scodelario

Alice representa a passagem da infância para a vida adulta, a crise de identidade, a transformação, mas mudanças de proporção e escala e o estranhamento.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Alice cai

Lewis Carroll's Alice are still a big challenge. Paradox, nonsense, labyrinth of dreams. Like a big game, the propose of the workshop "Who is Alice?" is to recreate the image of Alice through collage, a poetic procedure made with elements taken from drawings printed in books, magazines and newspapers, photographs, advertising and fragments. The enigmatic aspect of the dreams and nonsense of Alice find in collage a way of expression, a logic that points to another meanings, which must be find between fragments and unexpected associations.

We chose collage as an exercise in producing new languages, in which Alice in Wonderland and Alice Through the Looking Glass are calls for new trips. Every traveler has selected several images to be recreated by extrapolating the characteristics of purely illustrative and descriptive text and characters in the story, looking for a configuration of multiple, hybrid and metamorphic, in a proposed exploration of new territories according to subjectivity and personal repertoires of each one.


When Alice saw the looking glass house through the looking glass of her own home, realized that the looking glass world was very similar to ours as far as she could see, only ahead, she thought, everything could be completely different. Each of the artists in this group also created its Anti Alice who lives across the looking glass, where everything can be completely different. Each one has ventured in this crazy world of Alice, looking for Alice that on the other side of the mirror always ask the same question: Who are you?

“Este livro é doido. Isto é: o sentido dele está em ti.” Paulo Mendes Campos




Vídeo criado apartir do trabalho dos alunos da oficina de colagem, ministrada por Adriana Peliano no Instituto Europeu de Design, em maio de 2010.

As Alices de Lewis Carroll ainda são um grande desafio. Paradoxo, nonsense, labirinto de sonhos. Como num grande jogo, a proposta da oficina “Quem é Alice?” é a recriação da imagem de Alice através de colagens, um procedimento poético efetuado com elementos extraídos de desenhos impressos em livros, revistas e jornais, fotografias, imagens de propaganda e retalhos visuais. O caráter enigmático e o nonsense dos sonhos de Alice encontram na colagem um terreno propício, numa lógica que aponta para outro sentido, que deve ser buscado entre fragmentos e associações inesperadas.

Escolhemos a colagem como um exercício de produção de novas linguagens, em que Alice no país das Maravilhas e Alice através do Espelho sejam convites para novas viagens. Cada viajante selecionou imagens diversas para serem trabalhadas e recriadas plasticamente, extrapolando as características puramente ilustrativas e descritivas do texto e dos personagens da estória, buscando uma configuração múltipla, híbrida e metamórfica, numa proposta de exploração dos territórios de Alice segundo os repertórios subjetivos e afetivos de cada um.

Quando Alice viu a Casa do Espelho através do espelho de sua própria casa, percebeu que aquele mundo era muito parecido com o nosso até onde se podia ver, só que adiante, pensou ela, tudo podia ser completamente diferente. Cada um dos artistas dessa exposição criou também a sua Anti Alice que vive do outro lado do espelho, onde tudo pode ser completamente diferente. Cada um se aventurou nesse mundo doido de Alice, buscando aquela Alice que do outro lado do espelho sempre nos pergunta: Quem é você?



domingo, 28 de março de 2010

Oficina OTTO: Quem é Alice para você? 27/03



Mais uma oficina de colagem no Bistrot OTTO com resultados incríveis!

Letícia

Raquel Poli

Sandra Garcia

Tábata Gerbasi

Aline Izabel

Patrícia Slaviscki

Victor Veras

sexta-feira, 12 de março de 2010

OFICINA CRIATIVA: Quem é Alice para você?


“A Lagarta e Alice olharam-se uma para outra por algum tempo em silêncio: por fim, a Lagarta tirou o narguilé da boca, e dirigiu-se à menina com uma voz lânguida, sonolenta.
“Quem é você?”, perguntou a Lagarta.
Não era uma maneira encorajadora de iniciar uma conversa. Alice retrucou, bastante timidamente: “Eu - eu não sei muito bem, Senhora, no presente momento - pelo menos eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que tenho mudado muitas vezes desde então.” Alice no Pais das Maravilhas

Quem é Alice? Quem é você?


Alice no país das Maravilhas (1865) de Lewis Carroll é um grande desafio. Paradoxos, nonsense, labirinto de sonhos. Como num grande jogo, a proposta da oficina é a recriação do personagem Alice de Alice no País das Maravilhas através de técnicas de colagem, um procedimento poético efetuado com elementos extraídos de desenhos impressos em livros, revistas e jornais, fotografias, imagens de propaganda e retalhos visuais. O caráter enigmático e o nonsense do sonho de Alice encontra na colagem um terreno propício, numa lógica que aponta para outro sentido, que deve ser buscado entre fragmentos e associações inesperadas.

Inicialmente haverá uma breve apresentação de algumas imagens de Alice, segundo ilustradores e artistas de diferentes épocas e linguagens. Cada participante seleciona então imagens diversas para serem trabalhadas e recriadas plasticamente, extrapolando as características puramente ilustrativas e descritivas do personagem, buscando uma configuração múltipla, híbrida e metamorfica, numa proposta de exploração do sentido do personagem segundo os repertórios pessoais e afetivos.

A colagem no surrealismo teve expressão máxima na obra de Max Ernst, que desenvolveu a concepção surrealista da collage a partir da famosa imagem de Lautréamont do encontro de um guarda chuva e uma máquina de costura sobre uma mesa de dissecação, como o “acoplamento de duas realidades aparentemente inacopláveis sobre um plano que aparentemente não lhes convém.” Ocorre que o artista reconfigura o objeto em uma nova realidade, segundo Max Ernst, “para transformar em dramas reveladores dos seus mais secretos desejos o que antes não passava de vulgares páginas de publicidade.”

Escolhemos a colagem como um exercício de produção de novos sentidos, em que Alice no Pais das Maravilhas seja um convite para novas viagens. É importante que os participantes já tenham algum contato prévio com a obra e tragam imagens pessoais que relacionem com o livro para serem retrabalhadas plasticamente.

“Agora, que chegaste à idade avançada de quinze anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas. Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.” Paulo Mendes Campos

domingo, 7 de março de 2010

Oficina OTTO: Quem é Alice para você?

Esse é o resultado da oficina que dei no bistrot OTTO no sábado, dia 06/03, com apoio da loja de garimpos Freddiegrace. Agradeço a todos pela oportunidade. A oficina será dada de novo dia 27 de março. Entrem em contato pelo email: alicemaravilha@gmail.com

Quem é Alice para você? era a pergunta que devia ser respondida através de uma colagem, que por sua estrutura fragmentada e múltipla, aponta para uma identidade em fluxo e transformação. Alice não sabe mais quem é depois de ter se transformado tantas vezes naquele dia. Também nos sentimos assim no mundo contemporâneo.

Para dar suporte teórico e imagético para o trabalho, mostrei inicialmente uma amplo repertório de imagens sobre Alice na arte e na ilustração, da Inglaterra vitoriana aos nossos dias.

Boa viagem...


Rafael Farina

Antes:

Durante muito tempo eu confundia, misturava Alice com o mágico de Oz. Acho que devido ao fato de ambas as estórias terem duas meninas buscando respostas infinitas em um mundo paralelo.

Não sei ao certo quem é Alice ou o que ela de fato representa para mim. Mas acho que a capacidade de gerar cada vez mais perguntas ao invés de ficar buscando respostas talvez seja o maior legado que a menina tenha deixado para mim.

Depois:

Minha idéia foi transportar Alice para o Brasil. Para começar, ela não seria uma menina ingênua. Seria uma cachorra siliconada em busca de 5 minutos de fama.

No lugar do chapeleiro, toparia com o Sílvio Santos. Não veria lagarta nenhuma, mas um bando de pássaros exóticos e um estilista de moda frenético por lançar sua nova coleção, contando os segundos do relógio. E, com certeza, não seria decapitada, mas vítima de uma inocente bala perdida.


Paulo Beto

Alice para mim é você.


Juliana Rodrigues

A contração do que é real para o imaginário. Mas para não ficarmos apenas no país da imaginação é necessário concentração.


Daniel Ortiz

Alice desperta reações e as interpreta de acordo com suas fraquezas e complexos, quando na verdade ela surge como o sol no país das maravilhas iluminando as imperfeições dos seus habitantes.

Anabel Brito

Alice é um ser e uma obra original que permite nos relacionar pessoalmente de diferentes formas.

Mariana Nobre

Antes:
Minha Alice é uma moça, que mora sozinha, em uma cidade que não é a dela e que persegue um coelho, com o qual ela se identifica totalmente, por que ele está sempre atrasado nesse mundaréu que é São Paulo. Ela não sabe bem o que procura, se sente grande e pequenininha, se engasga em seu próprio sonho, ou nas frustrações, que viram lágrimas, de vez em quando.

Depois:
Minha Alice se manteve desesperada, apressada, mas agora não se debulhou em lágrimas. Encontrou Bosch e seu jardim hedonista, cheio de lagartas sedutoras. Dessa forma, Alice cresceu, mas os pesadelos também. Alice sonha com o coelho buzinando em sua orelha, lembrando-na que ela está, mais uma vez, atrasada. A paulista é o fundo desta colagem não por acaso. Este é o epicentro de sua epopéia. Seu "marco zero" e seu sonho, junto com os preedios do seu mundo idealizado.


João Viana

Quando penso em Alice, me deparo com vários adjetivos: curiosa, viva, apressada. Alice parece não ter tempo de olhar para tudo que pode ser observado. Há muitas coisas para se conhecer. E há poucas respostas para tantas perguntas. Há muitas coisas estranhas que não conseguimos compreender. Por isso elas são estranhas. Mas o estranho é amigo de Alice. Para ela não há como retroceder. There is no turning back. E ela continua sempre.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Alicitis


"Siga o coelho. Escorregue pela fresta de uma esquina urbana, suba as escadas e descubra uma nova Alice-Maravilha."

Num prédio estranho no centro de São Paulo, escuro e labiríntico como um filme de David Lynch, aconteceu a esposição ALICIDADE, de 19 a 27 de Maio de 2010. Oito artistas transformaram o espaço através da street art, colagens, pinturas e fotos. Lunkie,
Adriana Peliano, Celinha Fink, Luiz Zonzini, Yves Tadeu e Pita, Frederico Pellachin e Satansmothers, revelaram ali novas alicidades. A exposição teve curadoria de Fabiana Caso e Laurence Trille.

As possibilidades abertas pelo mundo da colagem e da street art maracaram os jogos de linguagem que os visitantes da exposição foram convidados a participar. Desenhos, palavras, rabiscos, rasuras, interferências, deslocamentos e diálogos entre rasgos e traços marcaram os fragmentos de Alice deslocados no espaço, num jogo de improváveis conexões e associações inusitadas.

O cadáver delicado é um jogo surrealista inventado na década de 20 do século passado. O jogo podia ser realizado através de textos, desenhos ou colagens e consistia numa criação coletiva em que cada participante inseria um novo elemento numa composição em processo, em geral sem enxergar o que havia sido adicionado antes. Esse é um exercício de descondicionamento da percepção e um desafio à criação de novos mundos.

Alicitis são contaminações de linguagem, transcriações coletivas, jogos esquisitos, corpos desmembrados e reconfigurados em perversos palimpsestos. Uma caixa de supresas, estranhas diversões.


Veja mais sobre o jogo dos cadáveres delicados AQUI

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It's a kind of surrealist game called Exquisite corpse.

In a strange building in downtown São Paulo, dark and labyrinthic as a David Lynch film, the exhibition Alicidade (Alicity) happened from May 19 to 27 of 2010. Eight artists have transformed the space by street art, collages, paintings and photos. Lunkie, Adriana Peliano, Celinha Fink, Luiz Zonzini, Yves Thaddeus, Pita, and Frederick Pellachin Satansmothers participated. The exhibit was curated by Fabiana Caso and Laurence Trille.

The possibilities opened up by the world of street art and collage stimulated the games of language that the visitors were invited to participate. Drawings, words, scribbles, erasures, interference, dislocations, and dialogues between tears and dashes marked the fragments of Alice displaced in space, creating a set of unusual associations.

The exquisite corpse is a funny surrealist game invented in the 20's of last century. The game could be done through text, drawings or collages and consisted of a collective creation in which each participant inserted a new element in a work in progress, often without seeing what had been done before. This exercise challenges the creation and the perception.

Alicitis (the name sounds like a desease) are contaminations of language, transcreations of collective weird games, bodies dismembered and reconfigured in perverse palimpsests. One box of surprises.

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